COMPARTILHE

Tento não pesquisar informação, apesar de não me orgulhar da minha memória a largo prazo prefiro basear-me nela com o risco de olvidar ou deturpar alguns factos. Afinal de contas estamos a falar de Isaías, o meu primeiro ídolo do futebol, e como a própria palavra ídolo se compõe de 50% realidade e 60% mito, os factos são apenas linhas a preto e branco.

Isaías-Benfica
Isaías Benfica

Nasci em ’86 e, apesar do risco das minhas memórias não serem contemporâneas umas das outras, tenho construída a imagem de uma camisola vermelha com o patrocínio da FNAC em que o interior do A tinha a forma de uma estrela. Não sei que idade teria mas enquanto andava a brincar por casa, por vezes parava-me na sala onde o meu pai (e seguramente o meu irmão, como viria mais tarde acrescentar ao meu relato. … maldita memória) assistiam aos jogos do Benfica. Das poucas recordações que tenho desses jogos é de ver o avançado, vestido de vermelho ou de branco, disparar misseis à baliza. Fosse de onde fosse, Isaías tinha um remate portentoso que tenho a certeza obrigava alguns guarda-redes a levar muda de roupa interior só de pensar em vê-lo lançado em direcção a eles. Talvez por não existir o HD na altura e portanto faltarem alguns frames nas transmissões, a sensação de vigor era aumentada. O que não era aumentada era a admiração por tal capacidade de lutar destemidamente na area até ao ultimo suspiro e ocasionalmente ver disparar um canhão na forma de um remate em que as duas pernas certamente chegariam a atingir os 180º de amplitude, qual coice de tal arrojo.

Não tenho claro se foi derivado desta admiração mas nessa altura era um grande fã da série “Captain Tsubasa” que passava na RTP1, actualmente com o nome de “Oliver e Benji”. Na altura passava em versão original (japonês) com legendas em português e o que mais retenho, de entre várias imagens icónicas, é o remate falcão de Ozora Tsubasa a explodir na baliza ou de Kojiro Hyuga a treinar remates contra as ondas do mar, na tentativa de superar a força destas contra a costa.

É impressionante o que as nossas referências, sobretudo em criança, podem promover ou despertar. A mim Isaías transmitiu-me o gosto pelo remates assombrosos e a capacidade de luta, características que ainda hoje aprecio nos jogadores, especialmente dos que jogam no Benfica. Com o passar dos anos apenas uma característica mais se juntou a estas no meu Hall of Fame de detalhes técnicos: a inteligência em campo, sobretudo a representada por passes longos. Sim, como referi é impressionante o que os ídolos nos transmitem, neste caso seja como futebolista ou como pessoa, é-me impossível ficar indiferente a um jogador que faz um passe em diagonal de 60 metros desmarcando um colega, que chora quando marca um golo ao seu clube e que envia remates aos ângulos superiores da baliza enquanto o guarda-redes sente na cara o vento da bola a pentear-lhe as luvas. Fica para outro momento um texto sobre o ídolo Rui Costa.

Equipa-Benfica-91-92-com-Isaías
Equipa Benfica 91 92 com Isaías

 

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA