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Eusébio com Béla Guttmann e Mário Coluna posando para uma foto com a taça Campeões Europeus
Eusébio com Béla Guttmann e Mário Coluna posando para uma foto com a taça Campeões Europeus

“Nem em cem anos o Benfica vai conquistar outra taça europeia!” – Béla Guttmann

Com esta frase começou a maldição…

A 27 de Janeiro de 1899 nasceu, em Budapeste, Béla Guttmann. No início dos anos 20 do século passado, Béla iniciou a sua carreira como jogador profissional de futebol. Jogava a médio centro e teve algum sucesso, vencendo o campeonato Húngaro e o U.S. Open Cup, no entanto o seu verdadeiro sucesso chegou apenas depois de se ter tornado treinador.

A sua carreira como treinador iniciou-se no Hakoa Wien, equipa composta por jogadores judeus que Guttmann também representou enquanto jogador, antes de partir para a América, indo depois para o Eschende, actual Twente.

No entanto foi no Újpest que as suas conquistas enquanto treinador começaram, vencendo o campeonato húngaro em 1939 e novamente, após passar por outros clubes, em 1947. O sucesso e as vitórias seguiram-no até à América do Sul, onde ganhou o Campeonato Paulista ao comando do São Paulo FC. No ano seguinte troca o São Paulo pelo FC Porto (1958/59) onde se torna campeão português pela primeira vez.

E é aqui que a nossa história realmente começa.

Béla Guttmann treinador Benfica anos 60
Béla Guttmann treinador Benfica anos 60

Guttmann, após vencer o campeonato ao comando do FC Porto, muda para a capital para treinar o SL Benfica, onde ficou por três épocas. O Benfica foi a 17º equipa que Guttmann treinou num período de 27 anos, o que feitas as contas daria cerca de um ano e meio por equipa em que passou, mas a verdade é que Béla defendia que um treinador não deveria ficar mais de 3 épocas na mesma equipa. A terceira época na mesma equipa seria o ponto de saturação do trabalho de um treinador com os jogadores em qualquer equipa, ou como costumava dizer “A terceira época é fatal”. Assim sendo raramente passava de uma ou duas épocas ao volante do mesmo emblema.

Mas foi ao longo de três épocas no Benfica que conseguiu feitos magníficos, começando pela descoberta de um jovem cheio de talento de Lourenço Marques, através do técnico brasileiro José Carlos Bauer. Este jovem chegou em 1960 ao Benfica acabando por ficar conhecido como Pantera Negra, o Rei Eusébio.

Por duas vezes venceu o Campeonato Português com o Glorioso, nas épocas de 1959/60 e 1960/61, assim como a taça de Portugal em 1961/62. Mas foi nas épocas de 1960/1961 e 1961/1962 que conseguiu algo inimaginável: Béla Guttmann levou o Benfica à conquista de duas Taças dos Campeões Europeus consecutivas. A primeira numa primeira fase do torneio onde vencemos a antiga equipa de Béla, o Újpest, num aglomerado de 7-4, terminando o torneio frente ao Barcelona com uma vitória por 3-2 com golos de José Águas, Mário Coluna e um auto-golo Antoni Ramallets.

Já em 1961/19662, o Benfica conquistou a Taça de Portugal e revalidou o seu domínio europeu numa fantástica final diante do colosso Real Madrid, num jogo que acabou com vitória portuguesa por 5-3, com Púskas a fazer os três golos Madridistas enquanto que do lado Benfiquista, José Águas e Mário Coluna voltam a marcar na final, juntando a estes o golo de Cavém e o bis de Eusébio.

Béla Guttmann Benfica e capitão Mário Coluna
Béla Guttmann Benfica e capitão Mário Coluna
Béla Guttmann treinador Benfica
Béla Guttmann treinador Benfica

Foi após esta vitória que Guttmann decide quebrar a sua regra dos três anos para continuar no Benfica, onde sabia que poderia continuar a fazer história, mas para isso pediu um aumento que acabou por ser recusado pela direcção do clube encarnado. Com esta recusa Guttmann abandona o Benfica, não sem antes deixar a sua maldição.

“Nem em cem anos o Benfica vai conquistar outra taça europeia!”

Desde que foi lançada esta maldição o Benfica nunca mais venceu uma final Europeia, perdendo todas aquelas em que esteve presente, em 1963 com o AC Milan, 1965 com o Inter de Milão, em 1968 com o Manchester United, 1983 (Taça UEFA) frente ao Anderlecht, em 1988 derrotado pelo PSV e em 1990 contra o todo poderoso AC Milan. Já em pleno séc. XXI voltaria a perder duas finais consecutivas para a agora denominada Liga Europa: em 2013 contra o Chelsea e em 2014 contra o Sevilha.

Da mesma forma também a carreira de Béla Guttmann nunca mais foi a mesma, pois não voltaria a vencer nenhuma taça até ao fim da sua vida.

Se o Benfica precisava de Guttmann também Guttmann precisava do Benfica para vencer e em 1965/66, Benfica e Bela Guttmann voltam a estar juntos, mas desta vez nem o próprio técnico conseguiu ultrapassar a sua própria maldição, acabando por perder nas meias finais do torneio, contra o Manchester United num total avassalador de 8-3. Depois desta época o Húngaro partiu e nunca mais regressou ao Benfica.

Depois do Benfica ainda passou por alguns emblemas onde poderia ter conseguido algo, como o caso do Panathinaikos, Peñarol mas não conseguiu nada, acabando por terminar a sua carreira no FC Porto em 1973 onde também não foi feliz.

Por fim, faleceu a 28 de Agosto de 1981 e foi sepultado em Viena.

Até hoje a sua maldição mantém-se e ainda não descobrimos como acabar com ela.

Em 1990, na final de Viena contra o AC Milan, Eusébio dirigiu-se ao local onde Béla estava sepultado e rezou para que Guttmann acabasse com a maldição e o Benfica voltasse a ser campeão europeu. O ex-treinador benfiquista não acedeu ao pedido e a maldição continuou intacta com mais uma final Europeia perdida.

Como uma nova forma de quebrar a maldição imposta, a 28 de fevereiro de 2014, no aniversário do Benfica foi colocada na porta 18 do Estádio da Luz uma estátua de Béla Guttmann a segurar as duas taças europeias que conquistou, mas também não foi ainda o suficiente para atingir novamente a felicidade europeia.

Estátua de Bela Guttmann no Estádio da Luz
Estátua de Bela Guttmann no Estádio da Luz

Assim, continua por descobrir a forma de quebrar o enguiço e voltar a celebrar nos grandes palcos da Europa e o pior é que ainda faltam 47 anos da profecia do Húngaro!

Oh grande deus do futebol europeu Béla Guttmann, perdoa-nos. Quebra a maldição e deixa-nos!

 

4 COMENTÁRIOS

  1. O artigo está bem construído e está muito bem escrito. No entanto, é bem possível que falhe no essencial – terá mesmo Bella Gutman lançado a dita maldição?

    António Melo, grande Benfiquista, no programa “Uma Semana do Melhor”, na BTV, transmitido na semana passada, garantiu que a maldição não existe. Se calhar, vale a pena ver o programa.

    • Ola Rui, obrigado pelo comentário.
      Percebo completamente essa questão e a verdade, é que é uma duvida que persiste e existem teorias de que não foram proferidas exatamente aquelas palavras. A verdade é que não saberemos exactamente como foi, mas quando escrevi este artigo, decidi focar-me na lenda que reza que o Benfica foi o alvo da maldição. Afinal de contas esta é uma daquelas histórias que já fazem parte da mística benfiquista.

      De qualquer forma muito obrigado pelo comentário e espero que continue a comentar.
      Saudações Benfiquistas

  2. A maldição está aqui:

    Numa declaração do treinador bi-campeão pelo Sport Lisboa e Benfica.

    http://3.bp.blogspot.com/-bFNsY-R8muo/U36sesoED3I/AAAAAAAAOQA/MnOpWrnfZ1E/s1600/BG.png

    Ele a desejar e a confidenciar ao jornal A Bola em 6 de Abril de 1963 que o Benfica iria voltar a ser novamente campeão Europeu !

    Que raio de maldição é essa em que a pessoa que a “cria” não sei onde, não sei quando, tem uma declaração pública a contradizer totalmente essa maldição ?

    Se realmente aconteceu mesmo e ele disse essa frase (nunca vi uma prova) como é que um mortal hungaro tem poderes para criar uma maldição ? hahahhaha e ainda por cima mesmo depois de morto continuar com a maldição…. Não existem maldições, contudo há pessoas supersticiosas que acreditam em patetices e que metem algo na cabeça que não conseguem fazer ou que é impossível, porque há não sei quanto tempo atrás um pessoa que nunca viram na sua vida disse ….algo.

    Pois eu digo que nunca mais, nem daqui a 1000 anos o Sporting e o Porto voltarão a vencer uma competição europeia ! Podem escrever esta maldição no vosso título do próximo post.

    • Ola Bruno,

      Também não acredito em maldições, feitiços e afins e qualquer um pode lançar uma maldição (que no fundo é só dizer algo e esperar pelo teste do tempo. É uma questão de probabilidades, no entanto este é um artigo acerca da maldição que o Guttmann lançou, ou não. O que interessa é a história que estará para sempre ligada ao Benfica e que acredito ser interessante seguir a evolução desta superstição que até nos faz ter mais uma estátua, ali na porta 18.

      Obrigado pelo comentário e espero que continues a comentar.
      Saudações Benfiquistas

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